(Gana)Karim conta que cuida destes fogos há dois anos. Retira um emaranhado de fio de cobre do pneu velho que usou como combustível e rega com água a massa informe que chia, deixando-a numa amálgama. Uma vez libertado pelo fogo do isolante retardador da combustão que o revestia, o fio poderá render 70 cêntimos junto de um comprador de sucata metálica.
Volto a este mercado dias depois. Perto de uma pilha de cinzas semelhante, localizada sobre uma angra de onde as águas escorrem para o Atlântico após cada chuvada, Israel Mensah, um jovem com cerca de 20 anos.
Todos os dias, os vendedores de sucata trazem para ali grandes carregamentos de equipamento electrónico velho. Israel e os seus sócios compram alguns computadores ou televisores. Separam os elementos deflectores de cobre dos tubos de imagem, juncando o chão de fragmentos de vidro com teor de chumbo (uma neurotoxina) e de cádmio (um carcinogéneo lesivo para os pulmões e rins). Retiram as peças que se podem revender, como drives e chips de memória. Então arrancam todos os cabos e queimam o plástico. Israel vende o cobre arrancado de uma carga de sucata para comprar outra. O segredo para fazer dinheiro é a rapidez, não a segurança. Ali perto, caixas de monitores quebrados flutuam na lagoa. Amanhã, as chuvas empurrá-las-ão para o oceano.
Este é o destino da tecnologia obsoleta que deitamos fora...
Texto de Chris Carroll; Fotografias de Peter Essick
in National Geographic



